desafio 52 semanas

[pitaco 6] um certo capitão Rodrigo – Erico Verissimo

 

“Quando Rodrigo Cambará surge no povoado de Santa Fé, em outubro de 1828 – a cavalo, chapéu caído na nuca, cabeleira ao vento, violão a tiracolo -, parece chamar encrenca. Com a patente de capitão, obtida no combate com os castelhanos, é apreciador da cachaça, das cartas e das mulheres. Homem de espírito livre, não combina com os habitantes pacatos do local, mantidos no cabresto pelo despótico coronel Ricardo Amaral Neto…” – sinopse. 

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Já vou confessar que não imaginava me envolver e gostar tanto da história desse livro – é, eu nunca havia lido. Rodrigo é um personagem inesquecível e a história é fantástica. Ambientado na fictícia cidade de Santa Fé, no Rio Grande do Sul, é uma narrativa de amor entre Rodrigo e Bibiana e de história de um Brasil prestes a viver outra guerra: a Revolução Farroupilha. Após tanto tempo em abstinência, ler um clássico me fez muito bem. Uma obra que podemos observar acontecimentos ficcionais muito bem relacionados aos fatos históricos.

Verissimo retrata a história desse personagem inquietante e bem humorado. Sim, eu me diverti bastante com capitão Rodrigo e li com o maior prazer em um tempo bem curto; levei uns 4 dias para finalizar a leitura e considero rápido, uma vez que – por falta de tempo – tenho demorado muito para ler.

O livro, que data a primeira edição em 1973, mas que retrata o passado, traz discussões ainda atuais e pertinentes.

“- Se eu fosse dono do mundo, fazia algumas mudanças…
– Por exemplo… – pediu o padre.
– Acabava com essa história de trabalhar…
– Sim, e depois?
– Fazia os filhos virem ao mundo de outro jeito. Eu vi o que a Bibiana sofreu. É medonho.
O vigário sorria. Aquelas palavras, partidas dum egoísta, não deixavam de ter seu valor.
– E depois?
– Dividia essas grandes sesmarias de homens como o coronel Amaral.
– Dividia? Como? Pra quê?
– Dividia e dava um pedaço pra cada peão, pra cada índio, pra cada negro.
– Não vá me dizer que ia libertar os escravos…
– E por que não? Acabava com a escravatura imediatamente” p.111

O trecho abaixo eu achei especialmente atual… os historiadores terão um trabalhão para explicar, daqui uns anos, o que andou acontecendo nos dias de hoje.

“Agora Napoleão se tornara uma figura conhecida em todo o mundo e estava na história ao lado de César, Alexandre, Átila e tatos outros. Mas era muito impossível – concluiu – que o resto do mundo nunca chegasse a ouvir falar em Bento Gonçalves. Não deixava de ser curioso a gente ver a história no momento em que ela estava sendo feita! Dali a cem anos, como iriam os historiadores descrever aquela guerra civil?” p. 155

Eu marquei bastante esse livro e indico a leitura. Já quero comprar os outros livros da saga O tempo e o vento. Cronologicamente, Um certo Capitão Rodrigo é o terceiro episódio do primeiro volume de O Continente. Há ainda mais dois volumes: O Retrato e O arquipélago. Embora seja uma saga, não há problemas em se começa nesse episódio ou ler separadamente.  


Título: Um certo capitão Rodrigo
Autor: Erico Verissimo
Páginas: 184 (170 de história + cronologia)
Editora / ano: Companhia das Letras / 2005
Tempo de leitura: 4 dias

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2 comentários em “[pitaco 6] um certo capitão Rodrigo – Erico Verissimo

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